A Retina e o Vítreo

A retina é uma estrutura ultra especializada em captar a luz, localizado na parte posterior do olho ela reveste a cavidade interna do globo ocular. Por ser altamente vascularizada e rica em compostos vitamínicos como vitamina A (retinol) ela possui uma coloração alaranjada. Existem principalmente 2 tipos de células responsáveis por captar a luz para formar as imagens no cérebro, os bastonetes, responsáveis pela visão noturna, eles estão localizados na periferia da retina, e os cones, responsáveis pela visão de cores, estes se concentram na área mais importante da retina, na região central chamada de mácula.

O globo ocular é preenchido por uma espécie de gelatina, chamada de vítreo, que é composto de 98% de água e 2% de proteínas colagens. O vítreo mantém a consistência do olho, ajuda a nutrir células da retina e deve ser transparente para a luz atravessa-ló e conseguir chegar até os fotorreceptores da retina.

Doenças que afetam os vasos da retina, os fotorreceptores ou o vítreo podem causar comprometimento da visão e levarem a cegueira se não forem diagnosticadas e tratadas precocemente.
As principais doenças da retina que você deve conhecer para saber como se prevenir são:

  1. Retinopatia diabética;
  2. Edema macular cistoide;
  3. Degeneração macular relacionada a idade (DMRI);
  4. Tromboses venosas e arteriais dos vasos da retina;
  5. Degenerações periféricas e roturas da retina.

 

Sobre Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)

Saiba quais os sintomas e como se prevenir dessa doença para evitar maiores complicações. Entenda do diagnóstico ao tratamento.

A Degeneração macular relacionada a idade (DMRI) provoca lesões progressivas na região macular, área central da retina onde se concentram as principais células responsáveis por captar a luz, os cones. Como consequência ocorre uma perda gradual da visão central, podendo haver uma alteração da percepção de cores. A visão fica debilitada e as linhas retas podem parecer onduladas. Você pode começar a ter muita dificuldade para leitura.

Existe duas formas de DMRI, a forma seca que representa 90% dos casos, onde existe principalmente atrofia dos tecidos. E existe a forma exsudativa, também chamada de membrana neovascular, que são 10% dos casos, nessa situação surgem novos vasos para tentar oxigenar a retina que começa a atrofiar, mas esses vasos extravasam líquido para a própria retina, causando edema macular e piorando o processo de degeneração e acelerando a perda da visão. Um dos principais fatores de risco ocular são o aparecimento de drusas na retina, que são depósitos de proteínas e gorduras que se acumulam abaixo da retina.

O tratamento varia conforme o tipo. Na forma exsudativa envolve injeções intravítrea de antiangiogênico que atuam na absorção do líquido e redução do edema, e secamento dos vasos que estejam extravasando líquido. Na forma seca o tratamento é mais complexo, inclui a suplementação de concentrados ricos em vitamina A, C, E, omega 3, luteína, zeaxantina e zinco, e envolve o entendimento dos fatores de risco e várias ações conjuntas para evitar a perda.

Essa doença está relacionada com hábitos de vida não saudáveis, como tabagismo, exposição aos raios ultravioleta, estilo de vida estressante e alimentos ricos em substâncias inflamatórias. O fator genético também tem um peso importante, ela afeta principalmente as pessoas com a pele e os olhos mais claros, mas o principal fator de risco é o envelhecimento.

Então cuide-se, pratique atividade física regularmente, controle os níveis de pressão sanguínea, proteja seus olhos de exposição excessiva aos raios de sol, escolha os alimentos saborosos naturais que sejam ricos em vitaminas A, C, E, omega 3, luteína, zeaxantina e zinco:

  • Fontes de Vit A, luteína e zeaxantina: frutas e legumes amarelos e alaranjados como manga, mamão, caju, abóbora, cenoura, milho, brócolis, vegetais verde-escuros como alface, acelga, espinafre, chicória, couve, salsa;
  • Fontes de Vit C: laranja, kiwi, abacaxi, morango;
  • Fontes de Vit E: gérmen de trigo, carnes, ovos, óleos, amêndoas, nozes, manteiga, vegetais folhosos (espinafre, couve, agrião), banana e legumes;
  • Fontes de omega 3: salmão, atum, sardinha, chia, linhaça, nozes, amêndoas.
  • Fontes de zinco: carnes, ovos, feijão, leite e derivados, frutos do mar, grão-de-bico, chocolate amargo.

Uma alimentação adequada contribui para a proteção contra danos causados pelos radicais livres, melhora a circulação sanguínea para os olhos e reduz o risco de doenças sistêmicas que podem afetar a saúde ocular.

 

Retinopatia Diabética

A geração dos fast-foods aliada ao sedentarismo tem contribuído para que essa doença seja a principal causa de cegueira em pessoas entre 20 e 50 anos de idade.
Isso acontece porque exposições repetidas a níveis altos de açúcar (glicose) no sangue após alguns anos provocam pequenas lesões nas paredes dos vasos sanguíneos, principalmente os da retina. Por sua vez, essas micro lesões levam ao extravasamento de líquidos e sangue na própria retina.

Essas alterações no fundo do olho geralmente acontecem em quase todos os diabéticos, independentes de serem tratados ou não com insulina, após alguns anos.

A gravidade do acometimento geralmente está relacionado a:

  • Como está o controle da glicose no sangue;
  • Como está o controle da pressão arterial;
  • Há quanto tempo a pessoa tem diabetes;

Algumas condições podem piorar bastante a retinopatia diabética:

  • Gravidez;
  • Infecções;
  • Uso de corticoide;
  • Internações hospitalares, principalmente se for em UTI.

Os sintomas visuais podem variar bastante. No início muitas pessoas talvez nem percebam, mas pode surgir pequenos pontos cegos que são descobertos somente no exame oftalmológico. Se houver extravasamento de líquido próximo da mácula, a região central da retina, a visão pode ficar embaçada. Essas alterações são progressivas e podem evoluir para estágios mais avançados, e estimular a produção de novos vasos sanguíneos na retina, que crescem de forma anômala, possuem defeitos que levam a mais sangramento e formação de cicatrizes no fundo do olho, a chamada retinopatia diabética proliferativa que em seu último estágio provoca o descolamento tracional da retina e a perda completa da visão.

Em alguns casos a retinopatia diabética proliferativa leva ao surgimento de novos vasos em uma porção muito específica do olho, por onde é drenado o humor aquoso, no espaço entre a íris e a córnea, causando o fechamento dessa região de escoamento e levando a um aumento muito grave da pressão do olho, chamado de glaucoma neovascular.

A prevenção dessa doença envolve alimentação saudável respeitando os níveis de glicose, prática de atividade física regular, controle da pressão arterial e acompanhamento regular com um oftalmologista de preferência especialista em retina pelo menos uma vez ao ano.

 

Tromboses na retina (infarto ocular)

Se você já ouviu falar em trombose venosa profunda (TVP), que afeta os vasos das pernas, acidente vascular encefálico (AVE ou AVC), infarto agudo do miocárdio (IAM) saiba que todas essas doenças tem fatores em comum que levam a obstrução e entupimento completo de vasos sanguíneos importantes para o fornecimento de oxigênio aos tecidos, sem ele esses órgãos sofrem necrose e morrem.

Da mesma forma que acontece essas doenças citadas acima, pode acontecer com os vasos da retina que é um dos tecidos do corpo com uma das maiores taxas metabólicas e um dos maiores fluxos sanguíneos. Esses vasos em certas condições podem sofrer infarto, chamado de colusão venosa da retina (OVR). Quando isso acontece interrompe o fluxo sanguíneo além daquela região obstruída, comprometendo a oxigenação e podendo levar a morte dos tecidos da retina.

Essa é a segunda causa de cegueira por doença vascular da retina, após a retinopatia diabética. Pode ocorrer em quase todas as idades, mas principalmente após os 65 anos.
O sintoma mais comum é a visão turva ou desfocada de um dos olhos. O grau de perda visual vai depender da área comprometida, podendo não ser percebido se a região afetada for na periferia da retina (oclusão de ramo da veia central da rerina- ORVCR) e pode causar a perda total da visão se obstruir todos os vasos da retina (oclusão de veia central da retina- OVCR).

Mesmo na oclusão de ramo pode haver perda grave se for na mácula, e mesmo que seja uma oclusão da veia central pode haver pouco comprometimento se ocorrer uma obstrução parcial. Comumente essa perda visual é indolor e pode acontecer de repente ou piorar em algumas horas do dia. E as vezes pode acontecer uma perda súbita de visão acompanhada de pressão dolorosa no olho.

Os fatores de risco que levam a obstrução vascular são:
– Aterosclerose
– Diabetes
– Pressão arterial alta (hipertensão)
– Distúrbios de coagulação sanguínea
– Distúrbios oculares como glaucoma, edema macular e hemorragia vítrea

A prevenção desse tipo de lesão envolve prática de atividade física regular, controle da glicemia e pressão arterial sistêmica, além de consultas regulares com oftalmologista.

 

Sobre o Diagnóstico

O diagnóstico de todas essas doenças citadas acima é realizado por um médico oftalmologista através de exames especializados, sendo o mapeamento de retina o exame inicial e mais importante, que deve ser feito em toda a população pelo menos uma vez ao ano para rastreio e diagnóstico precoce das principais doenças que levam a cegueira.

Outros exames complementares são solicitados conforme a necessidade, para diagnóstico e acompanhamento de tratamento, sendo os principais a tomografia de coerência óptica (OCT de retina), a angiofluoresceinografia, um exame que estuda os vasos da retina com a utilização de contraste venoso, e a retinografia (uma foto do fundo do olho).

 

 

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